Quase dois anos após crime, família faz protesto em frente ao Fórum e cobra justiça por jovem morto a facada

 

Familiares e amigos de Ivan André Leocádio, de 21 anos, realizaram um protesto silencioso pedindo por justiça na tarde de sexta-feira (13), em frente ao Fórum Dr. Carvalho de Mendonça, em Três Pontas.

Com cartazes e em silêncio, eles acompanharam a realização de uma audiência de instrução do processo que apura a morte do jovem. Ivan foi assassinado com uma facada no peito no dia 06 de abril de 2024. A suspeita do crime, sua namorada de 39 anos, responde ao processo em liberdade. Desde então, a família contesta a versão de que o crime teria ocorrido em legítima defesa e busca por justiça.

“A cada dia de espera eu me sinto assassinada um pouco”, diz mãe de jovem morto a facada

A mãe de Ivan, Daniela Aparecida Cirino, segurava um cartaz com a foto do filho durante a manifestação. Segundo ela, os quase dois anos desde a morte do jovem têm sido marcados por dor e sofrimento.

Daniela contou que essa caminhada em busca de justiça tem sido difícil e que a espera aumenta ainda mais a dor da família. “Estes quase dois anos de caminhada, na busca por justiça, têm sido dolorosos, de muito sofrimento. A cada dia de espera, eu me sinto assassinada um pouco”, relatou.

Ela afirma que continua confiando que a Justiça será feita. “Estou atrás da justiça, mas tenho fé em Deus que haverá justiça”, disse.

A mãe também comentou sobre a demora no andamento do processo. Segundo ela, uma audiência havia sido marcada anteriormente para o dia 27 de fevereiro, mas houve atraso devido a outra audiência anterior, sendo então remarcada para esta sexta-feira.

Daniela revelou ainda que já encontrou a acusada algumas vezes na cidade. Em uma dessas ocasiões, tentou falar com ela, mas não obteve resposta.

A igreja que Daniela frequenta fica próxima da casa da acusada. Em um domingo, ao passar pela porta da igreja, ela voltou a se deparar com a mulher. “É revoltante ela ter tirado uma vida e viver como se nada tivesse acontecido”, desabafou.

Em outro encontro na rua, a mãe disse que chegou a questionar a suspeita sobre o crime. “Perguntei por que ela teria assassinado meu filho”, contou. Segundo Daniela, a mulher não respondeu e preferiu permanecer em silêncio.

A mãe também contestou a versão de que o filho fosse uma pessoa violenta. De acordo com ela, quem o conhecia sabia que não era assim, inclusive uma ex-namorada do jovem. Daniela afirma que, na verdade, era Ivan quem sofria agressões durante o relacionamento.

Segundo ela, o filho chegava em casa com o corpo marcado, mas mesmo com os conselhos para que terminasse o relacionamento, ele não aceitava. “Apesar dos meus conselhos para que ele terminasse o relacionamento, ele não ouvia. Parecia que ele a amava demais”, contou.

Ela acrescenta que o filho era discreto e evitava comentar sobre o relacionamento, principalmente porque sabia que a mãe era contra. “Ela pode ter a firme convicção de que ele a amava demais”, revelou.

O pai de Ivan, Robson Paulo Leocádio (foto), também participou da manifestação. Mesmo separado da mãe do jovem, ele afirmou que mantinha um excelente relacionamento com o filho.

Durante o protesto, ele também pediu justiça. “Só quem perdeu um filho desta forma sabe a dor que é. Que Deus abra o coração do juiz e ela seja condenada por ter tirado a vida do meu filho”, disse.

A audiência realizada nesta sexta-feira foi de instrução, um ato processual importante no direito brasileiro, voltado à coleta de provas orais, como depoimentos de testemunhas, das partes envolvidas e de peritos, com o objetivo de esclarecer os fatos e subsidiar a decisão do juiz.

Após essa etapa, o processo entra na fase de conclusão para sentença. Nessa fase, as partes apresentam as alegações finais, oralmente ou por escrito, para reforçar seus argumentos. Em seguida, o juiz analisa todas as provas e depoimentos coletados e profere a sentença, que pode ser dada na hora ou em até 30 dias.

Relembre o crime

O crime foi em uma casa nos fundos, na Rua Godofredo Rangel, no bairro Vila Marilena em Três Pontas.

De acordo com a Polícia Militar, a acusada do crime disse que Ivan André Leocádio estaria brigando com ela e a agrediu. Para se defender, a mulher disse que pegou uma faca na cozinha e desferiu um único golpe que atingiu o peito do namorado.

Segundo a suspeita, Ivan estaria demorando para chegar e ela começou a ligar para ele. Quando chegou, estava muito nervoso e eles começaram a discutir. A briga teria começado dentro de casa. Em um determinado momento, mesmo com a filha no colo, ele teria dado um tapa do rosto dela e ela revidou, pegou uma faca e atingiu o companheiro no peito com um único golpe. Vizinhos ouviram a confusão e acionaram a policia. Quando a PM chegou, encontrou a mulher na rua, com o homem no colo todo cheio de sangue.

Os policiais chamaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), o jovem foi socorrido, mas já chegou morto no Pronto Atendimento Municipal (PAM). A suspeita chorava muito e dizia que não queria fazer aquilo.

Liberada na Audiência de Custódia 

A Perícia da Polícia Civil esteve no local e recolheu a faca usada no crime, que foi jogada pela mulher no quintal da residência. A mulher foi presa, encaminhada ao PAM, onde passou por exame de corpo delito e em seguida levada para a Delegacia de plantão da Polícia Civil em Varginha. Ela tem duas crianças, que na época tinham três anos e outra de apenas oito meses, frutos de outro relacionamento.

Na audiência de custódia, a juiza da Vara Plantonista da Comarca de Paraguaçu, Paula Ozi Silva Rosalin de Oliveira, considerou todas as circunstâncias ocorridas no crime, bem como os depoimentos tomados pela Policia Civil e seguindo o parecer do Ministério Público, não ratificou a prisão em flagrante da mulher. Isso porque, se entendeu a conduta dela enquadrada, a princípio, como hipótese de legítima defesa.

O próprio Ministério Público não se opôs à liberação da mulher e a justiça entendeu como acertada a decisão da autoridade policial. Por isso, Dra. Paula Ozi deixou de homologar o auto de prisão de flagrante e não impôs nenhuma restrição à acusada. Diante disso, o caso foi remetido à Comarca de Três Pontas que dá sequência no processo.


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