Dupla que misturava talco na cocaína são condenados por tráfico em Três Pontas

 

Dupla atuava em um laboratório que preparava droga para fornecer às biqueiras, mas grande parte do material era talco e anestésicos

A Justiça da Comarca de Três Pontas condenou dois homens por envolvimento com o tráfico de drogas, após as polícias descobrirem um esquema de preparo e distribuição de cocaína na cidade. A pena aplicada aos acusados foi agravada principalmente por causa da mistura de diversas substâncias na droga, o que aumenta os riscos à saúde de quem consome.

Miller Henrique Rosa Firmino foi condenado a 17 anos e 6 meses de prisão, enquanto Franklin Carlos Campos recebeu pena de 11 anos e 1 mês de reclusão. Ambos deverão cumprir a pena inicialmente em regime fechado.

Segundo a sentença, em outubro do ano passado, as polícias Militar e Civil encontraram em dois imóveis utilizados pela dupla uma grande quantidade de drogas e materiais usados para preparar e embalar a cocaína antes da distribuição. Ao todo, foram apreendidos quase 30 quilos de drogas, além de balanças de precisão, liquidificadores com resquícios de pó e mais de 12 mil pinos plásticos vazios, que seriam utilizados para a venda da droga.

De acordo com a decisão judicial, os locais funcionavam como um ponto de preparação da cocaína, onde a droga era misturada com outras substâncias para aumentar a quantidade e, consequentemente, o lucro obtido com a venda.

O “laboratório” e as misturas utilizadas

Entre os materiais encontrados estavam anestésicos, cafeína, talco industrial e diversos pós brancos, alguns deles ainda não identificados pela perícia. Essas substâncias eram misturadas à cocaína antes da droga ser embalada.

A sentença detalha a apreensão de uma enorme quantidade de substâncias utilizadas para diluir a cocaína pura, visando maximizar os lucros de forma fraudulenta. Entre os materiais encontrados estavam:

Lidocaína e tetracaína: Anestésicos locais utilizados para simular a sensação de dormência da cocaína.
Cafeína: Um potente estimulante usado para mascarar a baixa pureza da droga.
Talco: (Silicato de magnésio): Usado para dar volume e peso à mistura final, aumento o rendimento e consequentemente o valor arrecadado com a venda.
Substâncias não identificadas: Mais de 11 quilos de diversos pós brancos que a perícia técnica não conseguiu identificar, mas que seriam integrados ao produto final.

Na fundamentação da sentença, o magistrado destacou que a culpabilidade dos réus é acentuada pela gravidade extrema de introduzir substâncias tóxicas adicionais no organismo dos usuários.

Os efeitos destacados na decisão incluem: O uso do talco é particularmente perigoso. Quando aspirado, pode causar a talcose, uma doença pulmonar inflamatória de difícil diagnóstico que pode evoluir para uma doença pulmonar debilitante e crônica.

A combinação de cafeína com cocaína cria um “coquetel” estimulante que eleva drasticamente a pressão arterial e a frequência cardíaca, maximizando o risco de infartos e derrames.

A presença de anestésicos como a lidocaína e a tetracaína, somada as substâncias não identificadas, aumenta as chances de intoxicações agudas e reações alérgicas graves.

A decisão também aponta que a quantidade de materiais apreendidos indica que o esquema funcionava como um ponto de abastecimento para outros traficantes da região.

Para a Justiça, a forma como a droga era preparada e distribuída demonstrou uma atuação organizada e com grande potencial de causar danos à saúde pública, o que contribuiu para o aumento das penas aplicadas aos dois condenados.

Relembre o caso

A operação de combate ao tráfico de drogas realizada ano passado foi conjunta entre as polícias Militar e Civil e resultou em uma das maiores apreensões no município. A ação que cumpriu mandados de buscas e apreensões, ocorreu simultaneamente em dois bairros, no Aristides Vieira e em um apartamento no Centro. No bairro Aristides Vieira, onde o suspeito residia, foram apreendidos porções de cocaína e maconha, um revólver calibre 38 municiado, diversas munições e mais de 1.200 pinos vazios usados para embalar cocaína. Já o apartamento na Avenida Caio de Brito, era alugado exclusivamente para o armazenamento das drogas onde funcionava uma refinaria.


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